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"É esse plano que seria possível evocar para falar de um aspecto da cidade que se poderia chamar de virtual. Insisto, não se trata de uma cidade imaginária, nem da cidade dos sonhos soterrados, nem da cidade ideal, nem da cidade mental – está mais próximo daquilo que Félix Guattari chamou de Cidade Subjetiva. Subjetivo não significa, para esse autor, interior – eu diria, quase, que é esta uma das grandes contribuições trazidas pelo seu pensamento, a de colocar a subjetividade sob o signo da exterioridade. Ora, não há coisa mais exterior do que a cidade. Mil Platôs chega a sugerir que a cidade é a exterioridade por excelência, ou a forma da exterioridade. Daí porque pensar a cidade e a subjetividade deveria ser uma e mesma coisa, desde que ambas fossem remetidas à dimensão de exterioridade que lhes é comum. A pergunta que se impõe no rastro dessas observações é: o quanto a cidade preserva ainda seu caráter de exterioridade, o quanto ela comporta de virtualidade, o quanto ela constitui ainda um meio a ser explorado, o quanto ela se presta, todavia a novos trajetos, a novos traçados de vida?"
:: Peter Pál Pelbart em “A vertigem por um fio – Políticas da Subjetividade Contemporânea"